Resumo |
A soja [Glycine max (L.) Merr.] é uma importante espécie vegetal que supre boa parte da demanda mundial por óleo e proteína, ao ofertar seus grãos para a dieta humana e animal. O Brasil, na safra 2017/2018, foi o segundo maior produtor mundial do grão, e se manteve como líder em exportações. Pesquisas envolvendo rendimento de sementes em função do ciclo de progênies em qualquer ambiente (local e época) são importantes para elucidar etapas prévias à execução de ensaios de campo, que por sua vez visam estimar parâmetros imprescindíveis para o melhoramento da cultura e resultar no lançamento de cultivares. O objetivo do trabalho foi realizar um estudo de regressão linear simples entre dias até o florescimento e número de sementes de soja, para posterior execução de ensaio e campo. Tal pesquisa envolveu 270 progênies de soja em geração F4, oriundas de um cruzamento simples entre os acessos PMQS80 e PMQS12 do Programa de Melhoramento de Qualidade da Soja do BioAgro-UFV. Estas progênies foram conduzidas desde a geração F2 pelo método SSD (single seed descent). O experimento foi conduzido em casa de vegetação em Viçosa-MG, onde cada unidade experimental correspondeu a uma planta por vaso. A semeadura ocorreu em abril/2017, e a colheita variou de julho a agosto/2017. Iluminação suplementar e temperaturas ótimas para o desenvolvimento da cultura não foram fornecidos. A coleta de dados de florescimento ocorreu aos 45, 53 e 61 dias, classificando assim 83 progênies como precoces, 74 como de ciclo médio e 113 como tardias. A colheita manual de sementes foi feita quando as progênies apresentavam 95% de suas vagens secas, com posterior contagem da quantidade final de sementes por planta. O resultado evidenciou valores de 19 e 62 como o número mínimo e máximo de sementes, respectivamente. A partir da análise de regressão linear simples, obteve-se um βo = 53.1705 e β1 = -0.34076. Desta forma, quanto mais tardia a progênie, menor o número de sementes produzidas. Considerando que a semeadura e o desenvolvimento fenológico das progênies deste estudo ocorreram em época diferente daquela favorável ao cultivo de soja, uma quantidade reduzida de horas de luz resultou em poucas sementes por planta, para todos os ciclos. Somado a isto, baixas temperaturas, tanto diurnas quanto noturnas, também contribuíram para tal fato, principalmente naquelas progênies tardias, onde ficaram mais expostas ao decréscimo da temperatura ao longo dos meses envolvidos. Conclui-se que o número de sementes de soja obtidas é inferior ao esperado quando o cultivo é conduzido em épocas correspondentes à deste trabalho, mesmo sob ambiente de casa de vegetação e em progênies tardias. Recomenda-se, então que o cultivo seja executado em épocas mais favoráveis, e, com a impossibilidade de tal fato, que se controle a temperatura e luminosidade em casa de vegetação. Assim, cada progênie tende a oferecer uma quantidade de sementes maiores e adequada para a realização de posteriores ensaios de campo. |