| Resumo |
O envelhecimento da população brasileira tem se intensificado nas últimas décadas, sendo evidenciado pela inversão da pirâmide etária. Esse fenômeno reflete avanços nas condições sociais, econômicas, ambientais e culturais, bem como melhorias no acesso aos serviços de saúde, fatores que contribuíram para o aumento da expectativa de vida. Entretanto, tal transformação demográfica impõe importantes desafios para a saúde pública, especialmente no que tange à promoção do envelhecimento ativo e saudável, com manutenção da autonomia e da independência dos idosos. A autopercepção da saúde corresponde à avaliação que o indivíduo faz de seu próprio estado de saúde, considerando aspectos físicos, mentais e sociais, sendo reconhecida como um indicador de qualidade de vida e bem-estar. Este estudo teve como objetivo avaliar as atitudes dos idosos atendidos pelo Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) de Rio Paranaíba/MG frente ao processo de envelhecimento e à velhice e suas percepções acerca de serviços oferecidos pela Unidade, que tem por foco a promoção da saúde. Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado com pessoas de idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, legalmente capazes e que aceitaram participar da pesquisa, mediante assinatura ou impressão da digital no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O projeto foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFV. A coleta de dados ocorreu de setembro a outubro de 2025 por meio da aplicação de questionário sociodemográfico e de saúde estruturado adaptado. O instrumento incluiu a Escala de Atitudes de Idosos Frente ao Envelhecimento e Velhice, desenvolvida e validada por Luiz (2019), com 19 afirmações, as quais contemplam as dimensões: Relações pessoais, Autonomia e Independência, Intergeracionalidade, Resiliência, Resignação, Acolhimento e Gastos. Os dados foram analisados por estatística descritiva, com auxílio do Excel. Participaram do estudo 14 idosos, com idade média de 65,4 ± 4,8 anos, sendo observada predominância do sexo feminino (92,9%). Do total de respondentes, 64,4% possuíam ensino fundamental incompleto (cursaram até 4° série), 78,6% apresentavam renda de um salário mínimo (R$ 1.518,00 no período de coleta de dados) e 42,9% moravam sozinhos, condições que podem dificultar o envelhecimento saudável. De modo geral, as atitudes frente ao envelhecimento e à velhice foram positivas, com média de 5,3 pontos, em uma escala de 7 pontos. As dimensões mais bem avaliadas foram as relativas às Relações Pessoais com média 6,9 pontos (classificada como ótima), demonstrando que os respondentes mantêm os vínculos pessoais e se identificam com amigos e familiares; e à Resiliência com média 6,3 pontos (também classificada como ótima), indicando que eles apresentam capacidade para adaptação, superação e resistência diante dos problemas e dificuldades da vida. Já a dimensão menos pontuada se referiu aos Gastos com média de 3,9 pontos, indicando que os recursos financeiros são insuficientes para suprir suas necessidades e desejos. Todos os idosos informaram se engajar nas atividades promovidas pelo CRAS, com destaque para o alongamento (92,5%), o projeto (A)Colher - que originou o presente estudo (85,7%) e atividades recreativas, como bingos e palestras (50%). A frequência de participação relatada por 57,1% deles foi de 2 vezes por semana. Constatou-se que apreciam atividades desafiadoras, promotoras de socialização e que estimulam a autonomia e o diálogo. Os principais aspectos que limitam a adesão referiram-se a dificuldade de locomoção até a unidade e a necessidade de cuidar de membros da família. Os resultados evidenciam que os idosos que se envolvem nas atividades promovidas pelo CRAS apresentam atitudes positivas frente ao envelhecimento e à velhice e que a Unidade desempenha papel relevante na promoção da saúde dos mesmos, tendo em vista que a socialização, o fortalecimento de vínculos e a participação comunitária favorecem o bem-estar físico, mental e social e contribuem para o envelhecimento ativo. A adesão a atividades coletivas amplia as redes de apoio, reduz o isolamento e a solidão, fortalece o sentimento de pertencimento e estimula a autonomia, a autoestima e a integração na comunidade. Esses aspectos estão ligados à melhor autopercepção da saúde, à prevenção de agravos físicos e psicológicos, bem como à manutenção da capacidade funcional. Além de fortalecer os vínculos comunitários, as ações favorecem o acesso à informação, incentivam hábitos de vida saudáveis e estimulam o protagonismo da pessoa idosa. O presente estudo poderá subsidiar a formulação e o aprimoramento de estratégias voltadas à promoção da saúde da população idosa, além de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas que reduzam as barreiras de acesso às ações e aos serviços destinados a esse público. |