Ciência Delas

19 a 24 de outubro de 2026

Trabalho 22645

Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Biológicas e da Saúde
Área temática Dimensões Sociais: ODS3
Setor Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Bolsa PIBIC/CNPq
Conclusão de bolsa Sim
Apoio financeiro CNPq
Primeiro autor Andressa Mariza Costa Silva
Orientador MONISE VIANA ABRANCHES
Outros membros Antônio Carlos Moreira, Gabriella Misael Silva Fonseca, Isabela Cristina Santiago, Lívia Cecília Lacerda
Título Vínculos que promovem saúde: percepções e atitudes de pessoas idosas atendidas pelo CRAS frente ao envelhecimento e à velhice
Resumo O envelhecimento da população brasileira tem se intensificado nas últimas décadas, sendo evidenciado pela inversão da pirâmide etária. Esse fenômeno reflete avanços nas condições sociais, econômicas, ambientais e culturais, bem como melhorias no acesso aos serviços de saúde, fatores que contribuíram para o aumento da expectativa de vida. Entretanto, tal transformação demográfica impõe importantes desafios para a saúde pública, especialmente no que tange à promoção do envelhecimento ativo e saudável, com manutenção da autonomia e da independência dos idosos. A autopercepção da saúde corresponde à avaliação que o indivíduo faz de seu próprio estado de saúde, considerando aspectos físicos, mentais e sociais, sendo reconhecida como um indicador de qualidade de vida e bem-estar. Este estudo teve como objetivo avaliar as atitudes dos idosos atendidos pelo Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) de Rio Paranaíba/MG frente ao processo de envelhecimento e à velhice e suas percepções acerca de serviços oferecidos pela Unidade, que tem por foco a promoção da saúde. Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado com pessoas de idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, legalmente capazes e que aceitaram participar da pesquisa, mediante assinatura ou impressão da digital no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O projeto foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFV. A coleta de dados ocorreu de setembro a outubro de 2025 por meio da aplicação de questionário sociodemográfico e de saúde estruturado adaptado. O instrumento incluiu a Escala de Atitudes de Idosos Frente ao Envelhecimento e Velhice, desenvolvida e validada por Luiz (2019), com 19 afirmações, as quais contemplam as dimensões: Relações pessoais, Autonomia e Independência, Intergeracionalidade, Resiliência, Resignação, Acolhimento e Gastos. Os dados foram analisados por estatística descritiva, com auxílio do Excel. Participaram do estudo 14 idosos, com idade média de 65,4 ± 4,8 anos, sendo observada predominância do sexo feminino (92,9%). Do total de respondentes, 64,4% possuíam ensino fundamental incompleto (cursaram até 4° série), 78,6% apresentavam renda de um salário mínimo (R$ 1.518,00 no período de coleta de dados) e 42,9% moravam sozinhos, condições que podem dificultar o envelhecimento saudável. De modo geral, as atitudes frente ao envelhecimento e à velhice foram positivas, com média de 5,3 pontos, em uma escala de 7 pontos. As dimensões mais bem avaliadas foram as relativas às Relações Pessoais com média 6,9 pontos (classificada como ótima), demonstrando que os respondentes mantêm os vínculos pessoais e se identificam com amigos e familiares; e à Resiliência com média 6,3 pontos (também classificada como ótima), indicando que eles apresentam capacidade para adaptação, superação e resistência diante dos problemas e dificuldades da vida. Já a dimensão menos pontuada se referiu aos Gastos com média de 3,9 pontos, indicando que os recursos financeiros são insuficientes para suprir suas necessidades e desejos. Todos os idosos informaram se engajar nas atividades promovidas pelo CRAS, com destaque para o alongamento (92,5%), o projeto (A)Colher - que originou o presente estudo (85,7%) e atividades recreativas, como bingos e palestras (50%). A frequência de participação relatada por 57,1% deles foi de 2 vezes por semana. Constatou-se que apreciam atividades desafiadoras, promotoras de socialização e que estimulam a autonomia e o diálogo. Os principais aspectos que limitam a adesão referiram-se a dificuldade de locomoção até a unidade e a necessidade de cuidar de membros da família. Os resultados evidenciam que os idosos que se envolvem nas atividades promovidas pelo CRAS apresentam atitudes positivas frente ao envelhecimento e à velhice e que a Unidade desempenha papel relevante na promoção da saúde dos mesmos, tendo em vista que a socialização, o fortalecimento de vínculos e a participação comunitária favorecem o bem-estar físico, mental e social e contribuem para o envelhecimento ativo. A adesão a atividades coletivas amplia as redes de apoio, reduz o isolamento e a solidão, fortalece o sentimento de pertencimento e estimula a autonomia, a autoestima e a integração na comunidade. Esses aspectos estão ligados à melhor autopercepção da saúde, à prevenção de agravos físicos e psicológicos, bem como à manutenção da capacidade funcional. Além de fortalecer os vínculos comunitários, as ações favorecem o acesso à informação, incentivam hábitos de vida saudáveis e estimulam o protagonismo da pessoa idosa. O presente estudo poderá subsidiar a formulação e o aprimoramento de estratégias voltadas à promoção da saúde da população idosa, além de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas que reduzam as barreiras de acesso às ações e aos serviços destinados a esse público.
Palavras-chave Qualidade de vida, pessoa idosa, envelhecimento
Apresentações
  • Painel: Local e horário não definidos.
Gerado em 1,21 segundos.